Análise da cidade de Leonberg
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- Leonberg
Texto
CEM Centro Evangélico de MissõesEMT - Escola de Missões Transculturais
Análise da Cidade de Leonberg
com Finalidade Missiológica
Mestrado em Missiologia
Matéria: Missão Urbana
Professor: Jorge Barro
Aluno: Rolf Joaquim Dietz
Viçosa, 18 de janeiro de 2005
CONTEÚDO
1- Introdução .....................................................................................................................................1
2- Pesquisa direta ............................................................................................................................. 2
2.1- Dados.......................................................................................................................................2
2.2- Aspectos econômicos...............................................................................................................2
2.3- Curiosidades históricas.............................................................................................................3
2.4- Cronologia................................................................................................................................ 3
2.5- Centro da cidade ...................................................................................................................... 4
2.6- História e edificações................................................................................................................4
2.7- Catástrofes............................................................................................................................... 5
2.8- Emigração ................................................................................................................................ 5
2.9- Religiosidade............................................................................................................................ 5
2.10- Campo de Concentração Nazista ...........................................................................................7
2.11- II Guerra Mundial....................................................................................................................9
3- Pesquisa indireta ........................................................................................................................ 12
3.1- Maiores preocupações ...........................................................................................................12
3.2- Cultura e educação ................................................................................................................ 14
3.3- Tradições ............................................................................................................................... 15
3.4- População .............................................................................................................................. 16
3.5- Estrangeiros ........................................................................................................................... 16
3.6- Religiosidade.......................................................................................................................... 17
4- Conclusão ...................................................................................................................................18
Fontes..............................................................................................................................................20
Pesquisa Direta ............................................................................................................................. 20
Pesquisa Indireta........................................................................................................................... 20
1
1- INTRODUÇÃO
A terminologia "pesquisa direta" e "pesquisa indireta" foi inventada por nós, e
esperamos ser compreendidos no seguinte sentido. Pesquisa direta é uma pesquisa
como, em termos acadêmicos, estamos acostumados, ou seja, consultando livros e
outras fontes escritas. O nome foi dado porque os dados que pesquisamos são os
dados que são repassados. Pesquisa indireta resolvemos denominar os dados que
obtivemos por inferência, ou seja, por "soma de observações", observando situações
que se repetem, cruzando idéias, validando idéias a partir de uma quantidade maior
de ocorrências, etc. Esta terminologia ajudou a classificar as informações. Duas
fontes de informações importantes: as que chegam a nós de uma forma objetiva, e
outras que nós mesmos fabricamos a partir da matéria bruta de nossas próprias
observações.
Como forma de ilustrar este trabalho, coletamos algumas fotos de livros, jornais
e algumas tiradas por nós mesmos, as quais se encontram em dois arquivos:
"MissUrbana1HISTORIAdeLeonberg.pps" e
"MissUrbana2CULTURAdeLeonberg.pps", em CD anexo.
2
2- PESQUISA DIRETA
2.1- Dados
Primeiramente listamos alguns dados estatísticos.
Data de fundação da cidade: Conde Ulrich I funda a cidade de Levinberch em
1248/49. (WALZ & GRAMM 1991:3)
Estado: Baden-Württemberg
Área:
48,73 km²
Habitantes:
45.536 (31.12.2003)
Estrangeiros: 16,1 %
Densidade demográfica:
934 hab/km²
Altitude:
394 m ü. NN
CEP:
71201-71229
DDD:
07152
Posição geográfica: 48° 48' n. Br. 09° 01' ö. L.
Website Oficial: www.leonberg.de (Wikipedia: Leonberg_(Württemberg)
Bairros: Eltingen, Höfingen, Warmbronn e Gebersheim. (Leonberg eine
Schöne Geschichte 2004:18)
2.2- Aspectos econômicos
Leonberg é um polo econômico, industrial e comercial, ao lado de Stuttgart.
Muitas indústrias, sobretudo na área metalúrgica e plásticos se encontram aqui. Isto
pode ser compreendido pela proximidade da fábrica da Mercedes (a 20 km), sendo
que muitos funcionários moram em Leonberg.
Muitas das indústrias se locallizam perto do centro da cidade, porém pela forma
como a poluição sonora é controlada, à primeria vista não tínhamos percebido isso.
Aqui tudo é silencioso (comparado ao Brasil). Indústrias se encontram por todo o
lado, porém geralmente em prédios discretos, baixos, cercados de muita natureza,
de modo que ao olhar desatendo podem passar desapercebidas.
3
Também há muita agricultura. Todos os terrenos são bem administrados. Há a
floresta, que é manejada por um especialista (Forster), que corta e planta as árvores
e cuida dos caminhos, pois muitos gostam de passear no mato, onde há inclusive
muitas estradas asfaltadas.
Os agricultores aproveitam bem sua terra, plantando cada metro quadrado com
todo o cuidado. Eles são chamados de "Empresários rurais" (Landwirtschafter). O
agricultor vive em condições financeira semelhantes ou até um pouco melhores que
os habitantes da cidade.
2.3- Curiosidades históricas
Os primeiros sinais de habitação na área do município de Leonberg datam de
cerca 7000 anos. De lá para cá aparecem sempre de novo. Fazendas e vilas
apareciam e desapareciam, os seus restos foram guardados pelo solo. Desde o
século 19 a densidade demográfica aumentou nesta região. Na Idade Média o modo
de contrução utilizado não era muito profundo de modo que os restos arqueológicos
mais antigos foram preservados. Muitos testemunhos do desenvolvimento urbano
estão disponíveis graças a este fato.
Temos testemunhos da idade da pedra, idade do Bronze, idade do Ferro,
período Celta, período Romano, período dos Alamanos e Francos (tribos
Germânicas). (Eine altwürttembergische Stadt und ihre Gemeinden im Wandel der
Geschichte 1991:10)
2.4- Cronologia
Alguns pontos altos:
1248/49
Conde Ulrich I, de Würtenberg funda a cidade de Levinberch
1498
Primeiro grande incêndio, com cerca de 200 sem teto, 46
casas destruídas
1534
Leonberg se torna evangélica
1620/21
Johannes Kepler defende sua mãe acusada de bruxaria,
depois de 14 meses de prisão ela é libertada
1656
Fim da guerra dos 30 anos. A atividade principal é
agricultura e vinicultura
1816
Grande fome na região, muitos emigram
1837
Primeiro jornal de Leonberg, 1869 conectada às linhas
férreas, 1875 primeria fábrica
1895
Segundo grande incêndio, 54 casa e 16 celeiros queimados
1927
primeira linha de ônibus
1937
o primieiro túnel de autoestada da Alemanha é feito em
Leonberg
1944/45
No túnel (Engelberg) eram fabricados armamentos. O
campo de concentração de Leonberg custou 374 vidas.
4
1945
310 mortos e 225 desaparecidos lamenta a cidade pela
guerra
2004
Vivem no total 45000 habitantes .(Leonberg eine Schöne
Geschichte 2004: 16)
2.4.1- Johannes Kepler
Certamente o cidadão mais famosos de Leonberg é Johannes Kepler.
De 1576 a 1579, o famoso astrônomo Johannes Kepler morou nesta casa.
Neste período ele estudava na escola de alemão e latim. Mais tarde Kepler residiu
temporariamente mais de uma vez em Leonberg. Kepler nasceu em Weil der Stadt
(a 15 km de Leonberg, em 27.12.1571), porém residiu vários períodos de sua vida
em Leonberg, cidade onde sua mãe tinha nascido. (BÜHLER 1954: 61)
2.5- Centro da cidade
Antigamente o centro da vida da cidade era a praça do mercado (ainda hoje
denominado de "Altstadt", cidade antiga). Atualmente ainda é um importante centro,
onde se localizam o prefeitura velha, e tradicionais comércios, como farmácias,
bancos e escritórios.
Na fundação da cidade, o mercado era o primeiro ponto a ser definido. Ao lado
do direito de ter um muro, o direito de ter um mercado era um dos maiores privilégios
que uma cidade podia ter. (BÜHLER 1954: 17)
A fonte ("Marktbrunnen") é do século 15, em 1566 foi feita a estátua que o
encabeça. (BÜHLER 1954: 21)
Atualmente o centro do comércio têm se deslocado para o centro novo, ao
redor do Shopping "Leo-Center", onde se localizam outros Shopping's como o "Leo-
2000", "Römer Galerie" e muitas outras lojas.
2.6- História e edificações
O Castelo de Leonberg foi construído primeiramente junto com os muros. Na
verdade o castelo foi muito pouco utilizado, tanto que na destruição pelo terremoto,
somente um século mais tarde foi reconstruído. Essencialmente ele não teve papel
importante na história de Leonberg. (WALZ & GRAMM 1991:31)
A Igreja de S. João Batista, teve várias fases de construção, desde o final do
século 13 até o século 20. O primeiro registro dela temos de 1277, quando foi
registrada como capela, ou seja, comunidade da paróquia de Stuttgart. (BÜHLER
1954: 35)
5
2.7- Catástrofes
2.7.1- Incendios
O verão do ano 1895 foi muito quente e seco, o que fez com que o incêndio
que começou num celeiro, se espalhasse rapidamente, pelas casas daquele
quarteirão, que eram construídas bastante próximas umas das outras. Com muito
esforço os bombeiros conseguiram controlar o fogo mais tarde, porém o resultado de
54 casas e 16 celeiros destruídos foi o resultado que gerou muita miséria para as
famílias, apesar de ninguém haver morrido. Em compensação, somente 23 casas e
5 celeiros foram edificados no mesmo espaço, tornando a cidade mais bonita,
atraindo assim pessoas de outros lugares a passeio, o que veio a ativar o comércio,
e mais tarde a indústria, com o estabelecimento de fábricas na cidade no início do
século 20. (Leonberg eine Schöne Geschichte 2004: 202)
2.7.2- Terremotos
Em 1348 terremoto que destruiu parcialmente o castelo-cidadela (Burg) de
leonberg, reconstruido em 1457. Também em 1655, 1670 e 1682 a população foi
assustada por terremotos. (BÜHLER 1954:255)
2.8- Emigração
Muitos leonberguenses emigraram para outros países da Europa e EUA.
Dentre os muitos motivos, BÜHLER (1954: 132) cita o motivo religioso. Havia os
"separatistas" (rebatizadores), e também os do movimento Quiliástico, que tinham
marcado a volta de Cristo e o milênio para o ano 1816. Por isso foram perseguidos
(pelo governo, com o qual se desentenderam) e 700 pessoas emigraram para os
EUA (Pitsburg), para fundar a comunidade Harmonia.
Entre outros motivos para a emigração listamos a pobreza e desilusão, o que
levou, por exemplo, 215.000 alemães aos EUA somente no ano 1854 (somente
contando os registrados legalmente). (Streifzüge durch 750 Jahre Leonberger
Stadtgeschichte 2001: 113-138)
2.9- Religiosidade
Logo que começou a reforma luterana, a cidade de Leonberg, através de seu
Pastor Martin Claess, se ligou ao movimento. Ulrico eleitor introduziu a fé luterana,
apoiando-se no tratado de Kaaden, o qual permitia a autodefinição em termos de fé.
A perseguição aos anabatistas também ocorreu em Leonberg foi preso no
"Spetialatsturm". Deste fato o prédio ganhou até hoje o apelido de "Prisão dos
6
anabatistas". As tentativas de dissuadi-lo de sua fé foram inúteis. Não se sabe seu
destino, provavelmente foi solto pelo carcereiro. Casos desta natureza eram comuns
na região. (BÜHLER 1954: 100)
Atualmente as Igrejas Evangélicas (i.é., luteranas) estao ameaçadas pela crise
financeira que a igreja passa, um de cada três templos evangélicos está ameaçado
de ser vendido ou demolido. É um sinal da crise espiritual-teológica. Neste último
século muito se produziu teologicamente na Alemanha, e nem tudo serviu como
estímulo à fé das pessoas. As igrejas (Luterana e Católica) na Alemanha firmam seu
status principalmente pelo investimento em obras sociais, as quais o governo
lentamente está também assumindo.
Uma frase que ouvimos várias vezes é: "Sou Católico, porém discordo da
igreja". Por esta frase aparece por um lado a liberdade de pensamento que existe
aqui e por outro lado o tradicionalismo, pelo qual se explica o apego das pessoas a
uma instituição que já não lhes diz mais nada.
2.9.1- Bruxaria e bruxas, espíritos
Tortura: em Leonberg também acontecia a tortura de pessoas acusadas de
bruxaria, aplicavam-se sofrimentos às vítimas, de modo que confessassem. Um
caso aconteceu em Leonberg, de um acusado de sodomia, chamado Casper Gross
de Stuttgart, no ano de 1663. Depois de 7 horas de tortura ele ficou desmaiado e
quando acordou se declarou disposto a confessar tudo o que fosse necessário para
que "morresse sem tanto sofrimento". A pena normal para bruxaria era a fogueira, ou
como amenização, a decapitação. (BÜHLER: 1954, 211)
Para nossa pesquisa isso é interessante, pois hoje as pessoas insistem em
afirmar que bruxas não existem.
O alemão atualmente é muito cético em relação a tudo que é espiritual. Em
outras palavras, é materialista. Viver bem para ele significa ter uma boa conta
corrente, ter uma casa própria (difícil aqui), ter um mercedes novo na garagem, tirar
um mês de férias por ano no exterior e no final da vida ter uma boa aposentadoria.
2.9.2- Bruxas
No ano de 1552, uma Senhora de nome Carolina foi julgada por "bruxaria,
pacto com o diabo e clarividência". A partir dali, a perseguição às bruxas adquiriu
base legal e os pastores pregava alertando o povo contra as bruxas. O ponto
máximo foi atingido logo depois da guerra dos 30 anos. Logicamente todo o povo
acreditava em bruxas. Há muito poucos processos registrados desta natureza,
7
porém há registros não oficiais a respeito. (BÜHLER 1954: 256)
Nos anos de 1615 a 1616, seis mulheres foram condenadas por bruxaria.
(WALZ & GRAMM 1991: 4)
Uma mancha na história de Leonberg é o processo de bruxaria levantado
contra a mãe de Johannes Kepler (famoso astrônomo, cidadão honorário de
Leonberg), uma mulher muito prendada. Ela tinha enviuvado, pois seu marido
gostava da guerra, e em sua última participação, contra os turcos, não retornou vivo.
Ela gostava de ajudar as pessoas e tinha se especializado em ajudar doentes, e
preparar remédios caseiros. Ao ajudar os doentes também seu comportamento era
correspondente, com boas palavras e gestos carinhosos. Suas palavras eram lidas
pelos caçadores de bruxas como bruxaria e seus remédios eram vistos como
poções mágicas. Chegou na cidade um novo sub-prefeito que tinha fama de
machista, o qual pediu a irmã de Kepler em casamento, obtendo uma resposta
negativa, o que pesou contra a mãe de Kepler. O referido homem perseguiu a mãe
de Kepler de todas as formas, ao ponto de colocá-la presa em ferros. Por fim criou-
se uma falsa tortura que tinha por objetivo assustá-la para que eventualmente
confessasse a bruxaria. No dia 4 de novembro de 1621 ela foi solta, vindo a falecer
meio ano depois. Durante este processo, o próprio Kepler se envolveu em defesa de
sua mãe, perante o príncipe, do qual também obteve a execução da justiça, pondo
em liberdade sua mãe. (BÜHLER 1954:265, 266)
2.10- Campo de Concentração Nazista
Um dos pontos mais marcantes da história de Leonberg foi a existência de um
campo de concentração nazista no tempo da II Guerra Mundial.
Nos anos 1944 e 1945 foi instalado um KZ (abreviatura de campo de
concentração em alemão) em Leonberg, onde viviam até quase 3000 homens, a
certa altura. A função principal era o trabalho na fábrica de peças de aviões (NN),
para os aviões da força aérea (Luftwaffe), durante a guerra.
É de interesse especial para nosso trabalho, pois podemos fazer várias
perguntas:
Qual a reação do povo, ao saber que em sua cidade havia um KZ?
Qual a atitude das pessoas hoje, considerando a existência de um KZ a cerca
de 60 anos nesta cidade?
Qual a atitude das pessoas, considerando que hoje boa parte da população se
constitue de refugiados de guerra, e estrangeiros?
8
O silêncio que gira em torno deste assunto é perturbador. Em todos os livros
que contam a história da cidade, o assunto não aparece. É como uma parte da
história que se quer esquecer.
Porém há um material: "KZ in Leonberg: eine Dokumentation", que aborda este
tema com profundidade. É um seminário que foi gravado em fita depois transcrito,
com observações dos palestrantes (ex-prisioneiros) e de muitos cidadãos e ex-
funcionários do KZ, cidadãos comuns, jovens, donas de casa, ex-SS (polícia
especial Nazista). É um documentário muito tocante, que relata a realidade em torno
de um campo de concentração (note-se que este não era um campo de extermínio,
mas um campo de trabalhos forçados).
Para nosso trabalho isto é útil, pois traz à tona a carga de vergonha, dor,
revolta, dúvida e muitos outros sentimentos, durante cerca 60 anos. Houve pessoas
idosas que escreveram um manifesto contra este seminário, protestando contra o
fato de se revolver a memória do que se passou, procurando justificar as atrocidades
cometidas argumentando que "os inimigos também cometiam atrocidades". Isto
porém não leva em conta que o Nazismo, diferentemente do pensamento dos
aliados, era uma verdadeira religião na Alemanha, e Hitler era visto quase como um
deus. Era chamado de "Führer" (dirigente, motorista), e o povo via nele e em sua
ideologia a verdadeira salvação. Isto ia ao ponto de que Hitler pregava o 3o. Reich
(3o. Reino), que prometia um período de 1000 anos de liderança da Alemanha sobre
o mundo, ou seja, de prosperidade e segurança.
Para muitos a derrota do nazismo significou a destruição total dos seus
próprios valores construídos através da "Juventude Hitlerista", que tinha alguns
slogans, como por exemplo "misericórdia é fraqueza", "Führer decrete, nós faremos".
Muito difícil para muitos é entender como pessoas normais, cidadãos comuns,
colocados como líderes nos campos de concentração eram capazes de executar as
maiores atrocidades contra outras pessoas. Isto se explica pelo fato de ter sido
inculcado na mente dos jovens a idéia de que a raça ariana (alemã) era superior às
demais, as outras raças eram vistas como seres menos evoluídos, praticamente
animais. Isto é interessante para nossa pesquisa, porque revela a pregação
realizada no século passado visando inflar o ego dos alemães, e até hoje se nota um
certo sentimento de superioridade.
Até hoje muitos vêem em Hitler um herói, que tirou muitos do desemprego, deu
alimento ao povo, construiu estradas, reconstruiu a Alemanha depois da I Guerra.
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Para alguns a derrota na II Guerra foi um fracasso que impediu Hitler de salvar o
mundo. Na realidade sabemos que tudo o que Hitler fez foi uma grande indústria de
guerra, desde o início.
2.10.1- Guerras
A cidade de Leonberg viu e atravessou muitas guerras, dentre as quais
queremos destacar:
1 Guerra dos 30 anos
No início do século 17 (1618-1648) uma guerra varreu a Alemanha e a
destroçou. A guerra dos 30 anos trouxe muitos prejuízos à cidade de Leonberg e
arredores, sendo que mais que a metade da população foi dizimada nesta guerra.
Esta guerra trouxe como conseqüência a fome. Como os soldados tinham
pilhado os cereais, e as pessoas tinham medo de cultivar a terra de medo dos
soldados, houve grande fome, pela qual muitos morreram.
Logo depois da guerra dos trinta anos, ou seja, em 1635, a região de Leonberg
foi varrida pela peste, perdendo a cidade de Leonberg 635 pessoas (praticamente a
metade da população). (Eine altwürttembergische Stadt 1991: 116)
2 Ocupação francesa
No ano de 1796 a cidade de Leonberg foi ocupada por tropas revolucionárias
francesas (WALZ & GRAMM 1991:4)
3 Guerras mundiais
1914-1918 Primeira Guerra Mundial.
1939-1945 Segunda Guerra Mundial.
(WALZ & GRAMM 1991:5)
2.11- II Guerra Mundial
A propaganda, ameaças, medo da polícia secreta, votações pseudo-
democráticas, medo do aparelho de violência, pressões psicológicas, ameaças em
relação a emprego. Inicialmente as igrejas eram a favor de Hitler pois este se
declarava "um cristão positivo". O conselho de igrejas de Leonberg se decidiu em
1933 alçar uma banderia suástica e em 1934 acrescentou-se uma foto de Hitler.
Muitas pessoas protestavam contra atitudes isoladas do regime (3o. Reich p.ex.
atitudes contra a igreja, mudanças nos currículos escolares), mas não se pensava
numa queda do regime. O pensamento Preto-e-branco não era o caso. Um grande
dia para os NS era o 1o. De Maio, modificado para o "Dia do trabalho alemão".
10
Muitos se colocavam contra o regime, porém precisavam fazer isso de forma
secreta. Um cidadão de Leonberg, Erwin Schöttle, que primeiramente da Suíça
depois da Inglaterra organizava oposição ao regime. (Eine altwürttembergische Stadt
und ihre Gemeinden im Wandel der Geschichte 1991:250, 252)
Os opositores de Hitler logo perceberam suas intenções quanto à guerra, mas
para os admiradores, Hitler era um pacifista. Desde 1936 iniciou o processo de
armar e militarizar o país, pelo serviço militar obrigatório, pelo trabalho aumentado
das fábricas de armas. Apesar disso o prefeito de Leonberg no ano novo de 1939
(Soindler) elogiava "a grande pacificidade do nosso Führer", pois sem derramamento
de sangue (através da anexação da Áustria e regiões ao sul) trouxe milhões de
alemães de volta à pátria. Também o uso de uniformes criava no povo a sensação
de pertencer a uma grande comunidade. (Eine altwürttembergische Stadt und ihre
Gemeinden im Wandel der Geschichte 1991:256)
Iníco da guerra. No início o povo pensou que a guerra seria curta. A lembrança
da triste e mortífera I Guerra ainda estava viva nas mentes, e por isso pensavam
que a intenção de Hitler não era uma grande guerra. A Maioria continuou poupando,
pensando no fim da guerra e com isso ajudaram no próprio financiamento da guerra.
O ataque à Polônia foi dado como um ato de justiça contra a inveja polonesa quanto
ao progresso da Alemanha. (Eine altwürttembergische Stadt und ihre Gemeinden im
Wandel der Geschichte 1991:256)
Na I Guerra houve o colapso das instituições e falências de empresas e de
pessoas. Logo no iníco da II Guerra, foi instalado um sistema de economia em todos
os sentidos, a ordem era economizar, desde alimento até energia, até papel e lápis
nas escolas. Com isso o provisionamento das frentes de combate estava melhor
garantido, e diga-se que funcionou, pois em Leonberg não houve fome no período
da guerra. Todos eram chamados à "frete de batalha doméstica", ou seja ao
sacrifício pela nação. As mulheres precisavam fazer dupla jornada. (Eine
altwürttembergische Stadt und ihre Gemeinden im Wandel der Geschichte 1991:257)
Guerra total. Diariamente se ouviam notícias de mortes. No inverno de 41/42
moreram de Leonberg 67 soldados e 6 desaparecisdos. A palestra de Goeppels em
fevereiro de 1943 chamou a "comunidade popular", que até agora se batalhara para
criar a ser uma "comunidade destinada", ou seja, destinada a mostrar ao mundo a
grandeza da Alemanha e dar tudo para isso. A menor crítica, o menor ato contrário
era tido com "prejudicial à comunidade" e eram brutalmente quebradas. O cerne da
11
cosmovisão nacionalsocialista era o racismo. Nesse sentido aconteciam as
esterelizações de pessoas "provavelmente inferiores", com o fim de uma purificacão
da raça ariana. Alunos fracos na escola, alcoólatras, criminosos, etc, eram vítimas
da higienização racial. Também em Leonberg, no Hospital Regional foram realizadas
tais esterilizações. Estas esterilizaçoes prepararam o terreno para o assassinato dos
doentes mentais. No mínimo 4 homens e 3 mulheres de Leonberg foram mortas por
este motivo. (Eine altwürttembergische Stadt und ihre Gemeinden im Wandel der
Geschichte 1991:258)
Também os judeus não escaparam da perseguição em Leonberg. Muitos foram
proibidos de comprar e vender seus produtos, lojas foram fechadas, crianças foram
proibidas de estudar, foram obrigados a deixar suas casa em troca de choupanas, e
por fim obrigados a migrar para o leste. (Eine altwürttembergische Stadt und ihre
Gemeinden im Wandel der Geschichte 1991:259)
O fim da guerra. Somente em 1945 Leonberg sofreu um ataque aéreo pesado,
pelo qual morreram 19 pessoas, e 40 ficaram feridas em parte gravemente, e 20
casas foram destruídas. No período anterior, as pessoas evitavam sair de casa pois
os aviões passavam voando a procura de pessoas para alvejar. Várias pessoas,
inclusive crianças foram mortas desta forma. (Eine altwürttembergische Stadt und
ihre Gemeinden im Wandel der Geschichte 1991:263)
Porém o regime até o último momento propagandeava a vitória na guerra e
exigia todos os esforços da população para este momento final. O prefeito de
Leonberg intimidava o povo, de que se agora dessem para trás, todas as mortes
teriam sido em vão, que não receberiam ajuda do "Reich", que o povo alemão se
tornaria um povo de escravos, etc. Na noite de 20 de abril de 1949, enquanto pelo
rádio a propaganda NS celebrava mais um "Aniversário do Führer", as tropas aliadas
tomavam toda a região, inclusive Leonberg. Para Leonberg, o resultado foi 310
mortos em batalha, 225 desaparecidos, 2% das casas destruídas e 4% seriamente
danificadas. (Eine altwürttembergische Stadt und ihre Gemeinden im Wandel der
Geschichte 1991:264)
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3- PESQUISA INDIRETA
3.1- Maiores preocupações
3.1.1- Saúde e ecologia
Notamos uma grande preocupação com a saúde. Talvez porque a maioria da
população se constitui de pessoas de meia idade para cima.
Alimentos "bio", ou seja, cultivados sem agrotóxicos estão entrando no
mercado, apesar de ainda bastante caros, mas são muito procurados.
Muitas pessoas têm cuidado pela saúde, medindo sempre a pressão arterial,
fazendo check-up's regulares, fazendo exercícios físicos.
O contato com a natureza e a pureza da água e do ar é muito importante.
Quanto ao contato com a natureza, muitos costumam praticar o pedestrianismo, o
qual é feito pelo meio do mato. Sextas-feiras à tarde começa o movimento em maior
número, e se estende até o domingo. Também o ciclismo é bastante praticado,
também em grupos. Muitas vezes se vêem grupos de mais e 10 ciclistas, muitas
vezes uniformizados, fazendo suas rotas.
Quanto à natureza, muita atenção é dada à questão da poluição, para que não
aconteça. Os automóveis passam regularmente por testes de emissão de gases e
partículas, as fábricas têm instalados filtros. Também a poluição sonora é pouca. As
fábricas não produzem muito barulho, e os carros também são silenciosos.
Também a forma de dirigir dos motoristas é interessante. Na auto-escola se
aprende a respeitar os outros participantes do trânsito, principalmente os pedestres.
Acidentes de trânsito com atropelamento são muito raros, porque os motoristas
tomam muito cuidado com os pedestres, principalmente crianças. Caso ocorra um
atropelamento, o motorista do carro levará a maior parte da culpa.
Quanto ao lixo, é toda uma questão à parte. Curiosamente, um dos poucos
lugares onde se costuma ver cadeados é em latas de lixo. Isto porque cada esvaziar
de uma lata de lixo (120 l) custa cerca de
6,00, algumas pessoas costumam
13
depositar seus lixos na lixeira do vizinho, no ponto do ônibus, etc.
O lixo é todo separado pelas donas de casa, em vários tipos: primeiramente, o
lixo que não é reciclável de forma alguma, como fraldas descartáveis, papel sujo,
etc, vai na lixeira preta, que é a mais cara para ser recolhida. Restos de comida,
folhas, galhos e tudo que apodrece, vai na lata verde (bio). Móveis velhos precisam
ser levados ao depósito, e paga-se 5,00 por cada 0,5 m³. E assim existem muitos
tipos: vidros, plásticos, caixas de bebida, latas, tudo deve ser separado e colocado
em conteineres específicos.
3.1.2- Trabalho
Entendemos que um dos pontos máximos da cultura alemã é "trabalho". Aqui
todos se preocupam em trabalhar. Quem não gosta de trabalhar não deveria pensar
em morar aqui, pois seria mal visto. Pessoa trabalhadora é sinônimo de ser aceita
na sociedade. A palavra aqui para quem gosta de trabalhar, que no português
traduziríamos por "dedicado, esforçado", traduzido literalmente (Fleißig) significa
"suando".
3.1.3- Sexualidade
Nos impressionou muito o número de casos de pedofilia que são noticiados.
Também a pedofilia pela internet, somente aqui em Leonberg em 1 ano foram 50
casos.
Na questão de casamento, muitos vivem solteiros porque alegam ter
dificuldade de encontrar um parceiro para viver. Talvez isto tenha por pano de fundo
a maneira independende (leia-se egoísta) de viver. Geralmente aos 18 anos o jovem
inicia sua vida própria, aluga um apartamento para si e têm o seu sustento próprio.
Isto a nosso ver gera outros problemas emocionais, carências afetivas e
sexuais. O turismo sexual (p. Ex. No Brasil) é muito visitado por alemães. Também o
número de anúncios nos jornais, procurando parceiros para casar é muito grande,
ao mesmo tempo o número de anúncios procurando pessoas para prática sexuais
diversas é grande. Chama a atenção o número de "Sex-shop" e locadoras de filmes
pornô, em comparação com outro tipo de comércio. Também revistas pornográficas
são vendidas nas bancas sem qualquer embalagem especial.
As pessoas têm cada vez menos filhos. Atualmente (veja recorte no jornal) de
cada 3 mulheres (em idade para tal), uma nunca teve um filho, o que representa o
dobro do que a 20 anos atrás. Motivos alegados: a dificuldade de encontrar um
parceiro de vida, o medo pela manutenção financeira, perda da liberdade.
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3.1.4- Lazer
Os maiores lazeres praticados são, a nosso ver, o ciclismo, pedestrianismo e
natação. Observamos constantemente ciclistas passando nas ruas, e o mesmo se
refere aos pedestrianistas, pois há ruas especiais para esta prática, que passam
dentro das matas, em locais com muita natureza. Quanto à natação, referimos as
piscinas, que em cada cidade existem, geralmente duas: uma para o inverno,
fechada e aquecida, e outra para o verão, aberta.
Um dos lazeres é o esporte, não necessariamente praticá-lo, mas informar-se
sobre ele. No jornal local aparece várias vezes por semana um caderno "esporte
local".
3.2- Cultura e educação
O carnaval daqui é pouco comparável ao do Brasil. Acontece em datas
diferentes em cada cidade.
Há os blocos temáticos, que todos os anos representam os mesmos
personagens (leão, bruxa, reis, etc), que realizam seus desfilies uma vez por ano.
Também é chamado "noite dos loucos", pois algumas estrepolias são feitas por
determinados blocos.
Há a noite das lanternas, onde a população caminha com lanternas, isto
acontece nos últimos dias de novembro.
Quanto ao temperamento do povo, temos observado que reuniões de família
são raras. Aliás, é muito raro a presença de pessoas de fora da pequena família.
Raramente se convida alguém para uma visita. Somente uma vez por ano são
usados fogos de artifício, no ano novo. Em caso de partidas de futebol ou festas,
não são usados. As festas aqui são muito discretas, pessoas de fora quase não
notam.
Cultura é uma das "manias" nacionais. As pessoas se interessam muito por o
que costumamos chamar de "cultura": música clássica (3 emissoras FM
especializadas em Clássica, só em Leonberg / Orquestra Sinfônica em Leonberg),
museus (em Leonberg há vários), exposições de pintura, etc.
Quanto à leitura, em Leonberg há três bibliotecas públicas. Na última vez que
visitamos, estava cheia de pessoas, algumas das quais passam o dia ali, pelo que
notamos. Há um grande departamento infantil na biblioteca, as crianças aprendem
logo cedo a fazer uso. Também as livrarias são em grande número, demonstrando
que as pessoas lêem muito.
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No jornal local há um caderno que aparece várias vezes na semana, "Cultura
Local", só para termos uma idéia da importância do tema. Nas bancas de jornais (em
Leonberg) encontramos grande variedade de jornais, inclusive de muitos países
diferentes.
Um instituição muito marcante é a VHS (Universidade popular), que existe em
todas as cidades, a qual promove muitos cursos para o povo, desde línguas até
filosofia, passando por culinária e ioga, etc. O povo é maníaco por estudar!
Aqui temos uma luz para nossos questionamentos missiológicos: através da
comunicação escrita podemos ter acesso às pessoas.
3.3- Tradições
Os alemães são tradicionalistas. Costumam observar tradições herdadas dos
ancestrais com muito cuidado, como por exemplo as datas religiosas como natal e
páscoa, onde as famílias se reúnem para celebrar de maneira bem costumeira, com
alimentos costumeiros, preparados de modo costumeiro. Mesmo que as pessoas
não costumam mais ir à igreja, ainda seguem praticando as antigas tradições.
Missiologicamente falando, entendemos que podemos criar pontes em nossa
pregação, tomando estas tradições como ganchos ou brechas por onde entrar para
falar do evangelho ("Qual a origem do natal?", etc)
Só para se ter uma idéia, aqui ainda se costuma ensinar as crianças que papai
noel existe, e muitas crianças seguem acreditando nisso até boa idade.
Junto a isso estão as festas de caráter mais comercial, como por exemplo a
Exposição Anual de Cavalos de Leonberg, que é de origem antiga.
A cidade de Leonberg também é famosa por seus vinhos. Até hoje, em toda a
Alemanha, a agricultura é muito praticada, e não de maneira extensiva como no
Brasil, mas ao mesmo tempo não de maneira rudimentar. O uso de maquinário
agrícola é intenso, mas as áreas são pequenas. O segredo é o aproveitamento
máximo da terra, com uma grande variedade de culturas, em rotação. Cada
agricultor administra uma área não menor que 25 hectares, para que possa obter
seu sustento.
O alemão de forma geral gosta muito de beber cerveja, e aqui em Leonberg
não é diferente. As marcas de cerveja encontradas nos mercados são inúmeras, e
todas as cidades têm suas cervejarias (fábricas) e locais específicos para consumir
(Biergarten, traduzido: jardim da cerveja).
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3.4- População
A população da Alemanha têm se mantido estável, até mesmo com um
pequeno decréscimo. Isto significa que a idade média está aumentando. Cada dia
há mais idosos. A cultura em geral é muito voltada para o idoso. Se vêem muitos
idosos por todo lugar, e geralmente muito saudáveis, pois eles procuram se manter
em forma. Eles têm muito medo da velhice porque muitos não têm filhos ou vivem
brigados e a anos não recebem uma visita. Têm medo de ficar doente e precisar de
ajuda, são muito independentes (geralmente têm uma polpuda poupança).
Talvez por isso mesmo (decréscimo da população), as crianças também
recebem muito valor. Por todo lado se vêem parquinhos com brinquedos para as
crianças (em Leonberg são mais de 60 parquinhos), também porque as casas
geralmente têm pouco espaço para as crianças brincarem ao redor (planta-se
árvores e flores). Há inclusive ruas especiais para as crianças brincarem. No nosso
pequeno bairro são duas.
3.5- Estrangeiros
Observação: vivem em Leonberg cerca de 5000 estrangeiros. É a cidade na
Alemanha com maior número de países representados.
Um dos assuntos na Alemanha é a questão dos estrangeiros. Muitos
estrangeiros vieram para cá em outros tempos, quando havia necessidade de mão
de obra. Muitos estrangeiros são recebidos como refugiados de países em guerra,
pessoas perseguidas. Há um grande percentual de estrangeiros na Alemanha, e isto
causa dificuldades para os alemães, pois geralmente os estrangeiros são
empregados em funções subordinadas, por não dominarem a língua, mas nestes
períodos de crise, até mesmo estas funções são agora disputadas pelos alemães.
Hoje o país está bastante fechado para a entrada de estrangeiros, mas eles
estão aqui.
Para nosso trabalho, é interessante observar o papel que os brasileiros têm. A
maioria dos brasileiros que vive aqui são mulheres, que vieram através do
casamento. Para muitas brasileiras é vantajoso casar com um alemão, mesmo que
em algum sentido seja desconfortável, como a diferença de idade ou a distância do
Brasil. O motivo disto é a relativa tranqüilidade financeira, a inexistência da fome,
estilo de vida confortável, BMW (aqui é o carro popular) na garagem, possibilidade
de viajar, etc.
O mesmo acontece com muitas outras estrangeiras, pesando na decisão de
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permanecer na Alemanha, mesmo mulheres separadas, a questão do auxílio social.
O auxílio social das prefeituras é muito organizado e possibilita a manutenção das
pessoas desempregadas.
3.6- Religiosidade
A religião predominante é o cristianismo. Especificamente a cidade de
Leonberg seguiu os ensinos de Martim Lutero depois da Reforma Protestante. Deste
modo, o maior número de pessoas é como aqui se chamam "evangélicos", ou seja,
Luteranos. Há também muitos católicos.
Tem acontecido desde várias décadas um gradual esvaziamento das igrejas.
Os freqüentadores são na maioria idosos. Os mais jovens costumam ainda pagar o
"imposto eclesiástico" (descontado na fonte), mas muitos têm se desligado das
igrejas. Até pouco tempo atrás desligar-se da igreja era visto como uma atitude
"ateísta" ("você é ateu?"), apesar de a maioria não freqüentá-la. Atualmente não
notamos esta cobrança.
Deste modo as igrejas têm passado uma séria crise financeira.
Por outro lado, têm surgido muitas comunidades livres. Em cada cidade que
visitamos, pudemos encontrar (sob procura) uma comunidade livre. Estas
comunidades livres eram em outros tempos vistas como "seitas", sofrendo uma
pesada discriminação. Pouco a pouco, talvez pela mornidão das igrejas tradicionais,
muitos estão procurando as comunidades livres como um local onde podem
encontrar uma vivência de fé mais viva. Estas comunidades livres são assim
denominadas pois pregam uma forma institucional descentralizada, em contraste
com as igrejas tradicionais que são centralizadoras e hierarquizadas. A teologia
destas comunidades livres geralmente é muito semelhante à Batista, sendo que
algumas delas se denominam pentecostais ("Comunidade Pentecostal Livre de ..."),
mas quando analisadas na prática, não há muito exercício dos dons espirituais.
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4- CONCLUSÃO
Dentro do próprio texto acrescentamos algumas conclusões missiológias, às
quais aqui listamos mais algumas.
A nível de Alemanha percebemos o crescimento do Satanismo, e uma
renovação da Bruxaria. Também o neonazismo é uma preocupação. O crescimento
do Islamismo têm sido acompanhado de perto pela polícia, pois teme-se os
extremistas radicais e suas ameaças de atentados.
Impressiona a longa história da cidade, para quem veio do Brasil, de uma
cidade com pouco mais de 20 anos em mais de 100.000 habitantes (Sinop MT), uma
cidade com quase 1000 anos de idade, com menos de 50.000 habitantes,é um
contraste muito grande. Aqui as coisas andam devagar, mudam devagar, as
pessoas parece que andam devagar, falam devagar, vivem devagar.
Missiologicamente, temos percebido que o alemão demora a se converter a
Cristo. Por vezes vários meses de participação na igreja (arrastado pela esposa), ou
vários meses de evangelismo pessoal são necessários para que ele se decida por
Cristo. Podemos entender, a partir desta pesquisa, que para o alemão aceitar a
Cristo não é simplesmente um gesto, mas implica talvez em se tornar um "sectário",
alguém que será mal visto pela sociedade, pela família. No passado se perseguiam
estes "sectários", chegando inclusive à pena de morte. Atualmente a pressão social
por não fazer parte das igrejas oficiais é muito grande, e grande é o medo de fazer
parte de grupos fanatizantes. Por causa das experiências com o Nazismo, o alemão
tem medo de tudo o que cheire a fanatismo, bitolação, extremismo, manipulação de
massas e coisas semelhantes. A estratégia para evangelizar a Alemanha está ligada
à capacidade de mostrar aos alemães a "tradicionalidade" da fé em Cristo, a
liberdade de pensamento que o cristão adquire. Se conseguirmos mostrar o valor
que há em ser cristão no que tange à prática do amor ao próximo, obteremos muitas
portas, pois a partir da guerra, o alemão é muito preocupado pelo bem-estar das
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outras pessoas, até mesmo em outros lugares do mundo. Ele é muito disposto a
ajudar, quando percebe uma necessidade real.
O alemão é descrito geralmente como um povo frio, apático e cético.
Entendemos que não é bem isso. Poderíamos usar outras palavras: é um povo
sofrido, escolado e ressabiado. Na verdade é um povo que necessita muito do
evangelho, e muitos estão realmente abertos a recebê-lo, porém notamos falta de
pessoas que consigam romper estas barreiras. Nós entendemos que isto pode ser
feito da seguinte forma: a tentação de ironizar e ridicularizar a "frieza" deles deve ser
descartada. Devemos amá-los e, caso sejam frios, transmitir-lhes calor! Em segundo
lugar, precisamos mais paciência, pois com o alemão o evangelismo demora mais,
talvez porque ele leva a sério o que ouve, e analisa com cuidado. Devemos também
cuidar muito bem o que falamos, pois ele notará as contradições. Ele notará também
quando há tentativas de forçar a barra e manipular a opinião das pessoas. Temos
experimentado que alemães às vezes levantam o dedo no meio da pregação para
dizer "discordo...". Não devemos ver a discordância de opinião do alemão como uma
afronta pessoal. Ele sapara muito bem opiniões e amizade. Com ele podemos ter
uma acalorada discussão de opiniões, sem problema algum para a amizade. Ele vai
valorizar muito o nosso interesse em responder as suas dúvidas. Precisamos Ter
uma mente aberta e muito amor. Conquistamos sua confiança também através de
coisas simples como cumprir nossas promessas, cumprir horários, sendo
trabalhadores e honestos nos negócios, pagando os compromissos em dia.
Vale a pena o esforço para compreender a cosmovisão alemã. Fazer missão
aqui com os métodos do Brasil é quase impossível, somente vai reunir brasileiros.
Estou convencido de que o povo é aberto ao evangelho, se soubermos ter a
paciência e o amor para adquirir a confiança deles. Trabalhos em massa
(evangelismo em massa) aqui não teria muito efeito, muito mais o evangelismo
pessoal. Ele gosta de coisas sólidas, por isso as igrejas tradicionais ainda persistem,
mas gosta também de coisas espontâneas e vivas, por isso as igrejas tradicionais
estão morrendo. Se conseguirmos unir os dois fatores, poderemos causar uma
verdadeira "explosão"!
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FONTES
PESQUISA DIRETA
BÜHLER; Dr. Franz. Heimatbuch Leonberg: Stadtführung, geschichte,
kulturgeschichtliches. Biethigheim, Eduard Krug, 1954.
Vários. Leonberg: Eine altwürttembergische Stadt und ihre Gemeinden im
Wandel der Geschichte. Stuttgart, Wegra, 1991.
WALZ, Eberherdt & GRAMM, Bernardette. Leonberg: Historischer Altstadtführer.
Leonberg. Stadtarchiv Leonberg, 1991.
Vários. Streifzüge durch 750 Jahre Leonberger Stadtgeschichte: Beiträge zur
Stadtgeschichte. Leonberg, Stadt Leonberg, 2001
Vários. KZ in Leonberg: eine Dokumentation. Leonberg, Haus der Begegnug,
1980.
DEMA. Leonberg eine Schöne Geschichte: Sehenswürdigkkeiten in Leonberg
und seinen Ortsteilen. Leonberg, Stadt Leonberg, 2004.
DEMA. Leonberg ein Blick zurück nach vorn: Informationsbrochüre der Stadt
Leonberg. Leonberg, Stadt Leonberg, 2004.
www.leonberg.de
http://www.meinestadt.de/leonberg-wuerttemberg
Wikipedia: http://de.wikipedia.org/wiki/Leonberg
http://de.wikipedia.org/wiki/Leonberg_(Württemberg)
PESQUISA INDIRETA
Professor de Alemão
Professora de Alemão
21
Colegas de trabalho (Samariternstift)
Colegas da ação social da prefeitura
Observações pessoais (Rolf Dietz e Elisabete Dietz)
Pessoas não identificadas
Jornais locais:
Leonberger Kreiszeitung
Sonntag Aktuel
T-Online Nachrichten (www.t-online.de)