Crescimento da igreja, um processo natural
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- Apostila e monografia sobre o desenvolvimento Natural da Igreja
Teoria e Prática da Evangelização
Texto
CEM CENTRO EVANGÉLICO DE MISSÕESESCOLA DE MISSÕES TRANSCULTURAIS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MISSIOLOGIA
Projeto de Desenvolvimento Natural da
Igreja aplicado à Comunidade Cristã
Brasileira de Stuttgart
Professor: Sebastião Lúcio Guimarães
Aluno: Rolf Joaquim Dietz
Matéria: Teoria e Prática da Evangelização
Viçosa, outubro de 2003
Conteúdo
Introdução ...................................................................................................................1
Levantamento da situação ..........................................................................................5
Análise e planejamento ...............................................................................................6
Conclusão ...................................................................................................................9
1
Introdução
Base do projeto
Desenvolvemos a idéia deste projeto como um projeto-piloto acerca do
material "desenvolvimento natural da igreja"1. Este material se baseia numa ampla
pesquisa em muitas igrejas verificando pontos em comum na questão do
crescimento. Os autores concluíram que para a igreja crescer são necessários vários
fatores, que eles alistam como sendo oito, dos quais fazemos uma breve descrição,
para que mais adiante possamos enquadrar a situação da nossa comunidade.
Como o nome já sugere, o processo de crescimento da igreja é descrito como
"automático", comparando-o a uma planta que cresce "automaticamente", quando
recebe os nutrientes que necessita na quantidade correta (nem carência, nem
excesso).
Marcas de qualidade das igrejas que crescem
1. Liderança capacitadora
Os líderes não usam seus liderados para atingir seus objetivos, mas
estimulam para crescer em suas capacidades.
O invés de fazer todo o trabalho, gasta-se tempo em discipulado e delegação,
há uma multiplicação da energia. Ninguém precisa ser um super-líder, mas
aproveita-se as capacidades de todos.
1 Schwarz, Christian A. O Desenvolvimento Natural da Igreja: guia prático para cristãos e igrejas
que se decepcionaram com receitas mirabolantes de crescimento. Curitiba, Esperança, 2003.
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2. Ministérios orientados pelos dons
À medida que os cristãos usam seus dons, sentem mais prazer no trabalho,
além de deixar o Espírito Santo trabalhar através deles. O desenvolvimento da
igrejas é um tema de cada cristão.
Os dons são o modo de colocar-se em prática o "sacerdócio universal de
todos os crentes". Infelizmente a pesquisa revelou que a maciça maioria dos critãos
não conhecem seus dons, não sabem quais são. Não devemos criar ministério para
depois procurar preenchê-los usando até mesmo pressionar pessoas a assumi-las,
sem o dom para tal.
3. Espiritualidade contagiante
Independente do estilo da igreja, para o crescimento o que conta é que este
estilo é vivido com entusiasmo, dedicação, paixão. Este conceito se contrapõe à
vivência da fé como obrigações ou concordância doutrinária. É a vivência de uma fé
real e apaixonada em Jesus.
Entusiasmo não é sinônimo de verdadeiro, doutrinariamente correto. Por outro
lado, ser uma igreja doutrinariamente correta não implica automaticamente em
crescimento.
4. Estruturas funcionais
Análise e adequação de todas as estuturas (físicas, de horários,
administrativas, litúrgicas, etc) à funcionalidade. Isto implica na revisão de muitas
tradições.
5. Culto inspirador
Muitos pensam em copiar modelos de cultos de outras igrejas que crescem. A
pesquisa revelou que o que realmente vale é que o culto seja uma "experiência
inspiradora". Participar do culto não deveria ser visto como obrigação, mas ele deve
atrair as pessoas.
6. Grupos familiares
A pesquisa revela que os grupos familiares que realmente influenciam no
crescimento da igreja são aqueles que possibilitam à pessoa ter espaço para expor
suas questões cotidianas.
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Por trás destes grupos está o conceito de transferência de vida espiritual,
discipulado, não somente o estudo de conceitos abstratos.
Nos grupos familiares acontecem os fatos mais essenciais da igreja de Cristo,
onde o membro experimenta diretamente a evangelização e os relacionamentos
fraternais. A igreja preocupada com o crescimento precisa estimular a multiplicação
destes grupos.
7. Evangelização orientada pelas necessidades
Cada cristão deve servir ao não-cristão com o dom que Deus lhe deu e se
esforçar para que ele tenha oportunidade de ouvir a Palavra. Não devemos colocar
sobre todos os crentes a obrigação do evangelismo pessoal, quando na realidade
apenas 10% têm este dom.
Ensinar os cristãos a aproveitarem seus contatos com não-cristãos de forma
frutífera, sem porém se tornar uma pressão.
8. Relacionamentos marcados pelo amor fraternal
As pessoas sem Deus não precisam de discursos sobre o amor, mas
experimentá-lo no dia-a-dia.
Nenhuma marca pode faltar
O autor enfoca a importância de uma receita bem dosada destas oito marcas,
mostrando que devemos analisar qual ou quais estão em déficit em nossa
comunidade para então enfatizá-los.
Alguns alertas
No correr do livro surgem algumas observações que interessantes que
fazemos questão de relatar.
A pesquisa revela que as igrejas grandes crescem menos
(proporcionalmente) que outras menores. Igrejas grandes não são o mesmo que
igrejas que crescem.
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Alvos de crescimento numérico são inadequados. Precisamos enfocar nossos
alvos naquilo que podemos fazer (melhorar a qualidade da igreja) e não naquilo que
só Deus pode fazer (aumentar o número de membros). O aumento do número de
membros é uma conseqüência natural do aumento da qualidade. Concentrar em
alvos mais concretos (por exemplo, levar os membros a descobrirem seus dons
espirituais) é mais frutífero.
Cuidado com "Igrejas-modelo". Igrejas grandes crescem menos. A pesquisa
revelou que, em média, quanto maior a igreja, menor o crescimento percentual.
Pode-se dizer que duas igrejas de 200 membros conquistam para Jesus o dobro de
pessoas que uma de 400.
O fator mínimo
Para facilitar as coisas, por onde começar? Devemos trabalhar de forma
redobrada para o fator avaliado como menor (sem perder a continuidade das
restantes que já estão melhores).
A bi-polaridade
Durante toda a exposição o autor mostra o perigo de dois expremos: os
tecnocratas e os espiritualizantes. Os primeiros tendem a ver os aspectos técnicos
do ser igreja, como administração, organização, hierarquia e ortodoxia, enquanto
que os espiritualizantes tendem a focar nos aspectos espirituais, como oração e
comunhão, menosprezando os aspectos técnicos.
Os dois polos: dinâmico e estático. Dinâmico é orgânico, cresce por si
mesmo; estático se caracteriza pela ordem e planejamento. O erro acontece
quando, ao invés de haver um ciclo ENTRE os dois (um estimula o outro), se cai
para UM dos lados.
Na página 95 há um grafico sumamente importante que reproduzimos abaixo:
PERIGO À ESQUERDA
Se relaciona >
< Se relaciona
PERIGO À DIREITA
Paradigma dualista
Polo dinâmico
Polo estático
Paradigma monista
Relativismo
Fé
Ensino
Dogmatismo
Ecletismo
Palavra de Deus
Cânon Bíblico
Fundamentalismo
Libertinagem
Amor
Ética
Legalismo
Espiritualização
Comunhão
Sacramentos
Sacramentalismo
Docetismo
Conduta
Tradição
Tradicionalismo
Separatismo
Multiplicação
Cooperação
Monopolismo
Individualismo
Dons
Funções
Clericalismo
Anarquismo
Serviço social
Estrutura
Conservadorismo
Quietismo
Evangelização
Proclamação
Universalismo
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Levantamento da situação
No dia 20 de setembro de 2003, estivemos pela primeira vez na igreja,
"Comunidade Cristã Brasileira de Stuttgart", no culto. Dois dias depois estivemos
reunidos com alguns membros para um círculo de oração.
Os principais dados
A comunidade funciona a cerca de 3 anos, tendo como ponto em comum a
brasilidade. Em torno disso se reuniu um grupo que foi crescendo, contando na data
em torno de 80 pessoas cadastradas, com uma participação nos cultos de cerca de
40 pessoas.
Durante este tempo a comunidade foi atendida pastoralmente pelo P. Sérgio
Veiga, que se desloca desde Aachen (aprox. 400 Km) duas vezes por semana.
Desta forma o trabalho não podia ser realizado plenamente, pois o tempo de
deslocamento tornava inviável uma atenção maior do pastor, limitando-se aos cultos
e preparação para o batismo e aconselhamento por telefone.
A Comunidade se reúne num salão alugado, no qual também congregam uma
comunidade livre alemã e uma comunidade evangélica Indiana.
A situação dos evangélicos na Alemanha
A palavra "evangélico" aqui significa o mesmo que no Brasil a palavra
"luterano". As outras igrejas são denominadas "comunidade livre", e são vistas como
seitas. Nos formulários que temos que preencher (por exemplo a "Notificação de
residência"), existem 3 alternativas quanto a religião: católico / luterano / nenhuma.
Subentende-se que quem não é das duas igrejas reconhecidas, declara-se ateu(!).
Apesar disso, apenas uma pequena parcela da população frequenta os templos das
igrejas oficiais.
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Análise e planejamento
Os fatores mínimos
O autor do livro desrecomenda uma avaliação "achológica" para detectar o
fator mínimo. Por isso preferimos comentar o que consideramos os pontos fortes e
fracos da comunidade em relação a cada marca.
Seria um trabalho para mais tempo fazer uma avaliação minunciosa da
questão, conforme o livro pede. Há um teste que a igreja pode realizar para detectar
o fator mínimo, e há materiais específicos para se trabalhar cada marca na igreja
local.
Abaixo descrevemos nossos objetivos concretos em relação a cada uma das
outo marcas de qualidade da igreja.
1. Liderança capacitadora
Incentivar os membros a assumir posições de certa liderança, observando e
orientando, por exemplo, a organização de setores de trabalho ou eventos.
Incentivar a espiritualidade pessoal, como forma de fortalecimento dos futuros
líderes. A leitura da Bíblia pelo método indutivo é visto como uma forma de
capacitação.
2. Ministérios orientados pelos dons
Falar nos pequenos grupos, sempre de novo, a respeito da importância de
cada crente descobrir seus dons. Incentivar a oração em torno deste assunto. Abrir o
maior número possível de oportunidades para participação.
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Planejar uma cruzada evangelística. Isso será uma espécie de "laboratório de
dons", pois haverá a participação de toda a comunidade, nas diversas frentes de
trabalho. Teremos a oportunidade de avaliar o interesse e capacidade de cada
membro, permitindo um planejamento no sentido de enquadrar cada um na
comunidade em funções adequadas a seus dons e interesses.
3. Espiritualidade contagiante
Incentivar a individualidade dos mebros, a espontaneidade, a naturalidade na
oração e no testemunho, baseada na relação com Deus
Aproveitar missionários de passagem por aqui, como uma forma de animar,
estimular as pessoas.
4. Estruturas funcionais
Avaliar vários fatores que precisam ser revistos no quesito estruturas, tais
como registro da igreja, horários das atividades, aquisição de aparelhagem,
organização e aprovação do estatuto, regimento interno.
Organizar uma biblioteca de empréstimos de livros, vídeos, CDs e etc. Há
grande interesse dos membros em adquirir conhecimento. O povo gosta de ler e
ouvir palestras de CDs. Podemos contar com a leitura de livros e folhetos como meio
de edificação e evangelismo.
5. Culto inspirador
Envolver mais pessoas na condução do culto através do ministério de louvor,
de testemunhos e de ministração.
6. Grupos familiares
Já existem dois grupos domésticos, mas realmente é uma das marcas de
qualidade mais deficitárias, pois a distância entre a residência dos membros dificulta
este tipo de atividade. Objetivo é melhorar este trabalho com a formação de
lideranças, que ainda são poucas.
7. Evangelização orientada pelas necessidades
Ensinar uma visão mais aberta a respeito de evangelização, para os membros
aprovetarem melhor as oportunidades no relacionamento com não-crentes.
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8. Relacionamentos marcados pelo amor fraternal
Um dos pontos fortes da comunidade é a unidade, pois a origem brasileira e a
língua portuguesa são elos que têm sustentado a comunidade. O amor é uma das
marcas que chamam a atenção dos alemães, pois o brasileiro é mais caloroso.
Neste sentido, buscar uma ênfase no nosso "proprium" como igreja brasileira.
Alvos concretos para o próximo ano:
Edificação espiritual e teológica e formação de um grupo de líderes.
Como implementar: através do grupo de estudo das quartas-feiras, jejuns
diversos, divulgação de livros e CDs para estudo pessoal, retiros de estudo e
oração, uso do estudo bíblico indutivo, reuniões nas casas, etc.
Implantar a visão do discipulado e da liderança capacitadora, trabalhando
estes temas no grupo de estudos.
Formação de um ministério de louvor
Formar instrumentistas, cantores e ministros de louvor, enfatizando o jeito
brasileiro de louvar (alegre, ritmado).
Como será implementado: seleção de canções, seleção de integrantes
(orientada pelos dons), ensaios vocais e instrumentais, aquisição de instrumentos e
apresentações externas.
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Conclusão
Procuramos estabelecer alvos claros e delimitados a serem perseguidos.
Uma vez estes alvos sendo atingidos, outros serão propostos, conforme uma nova
avaliação da situação.
Nosso objetivo no momento é o fortalecimento espiritual, a criação de uma
liderança e a formação de uma metodologia de trabalho adequada ao nosso
contexto. Esperamos em um ano ter atingido estes objetivos, quando então
procuraremos iniciar novas frentes de atuação, como (a título de hipótese) eventos
públicos (cruzadas evangelísticas).
Este nosso primeiro mês na comunidade foi bem aproveitado para este
projeto, pois houve bastante diálogo com os membros acerca do que eles esperam
para o futuro da mesma, e percebemos que a visão exposta neste trabalho está
tendo boa aceitação entre eles.